terça-feira, janeiro 31, 2006

Belíssimo janeiro



Ó tu, que com dardo de flama,
Parte o gelo da minha alma,
Para que ela se lance fremente
Ao mar de sua suprema esperança:
Sempre mais clara e mais sã,
Livre na lei mais amorosa -
Assim exalta ela teus milagres,
Belíssimo Janeiro!"

Friedrish Nietzsche


Foto by Liana Schulman

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Sol e Lua. Viajante, o caminho se faz caminhando.




Sol e Lua.
Viajante, o caminho se faz caminhando...

Palavras, às vezes, ficam pequenas, insuficientes, simplesmente não cabem, se tornam imprestáveis para exprimir, expressar, dizer. Uma palavra, ou mesmo uma multidão delas... palavras que ficam ao largo, desterradas, soltas, perdidas frente ao que se sabe com um único olhar. Olhar que transpassa a alma, confunde-se com ela. Olhar que invade e nos enleva para um além - esse deserto, sem palavras. Um nada, que tudo pode dizer, mas não diz.

Não diz, mas não porque assim quis. Não diz, mas é porque não sei desse algo que se sabe, por si só, em mim. Às vezes até mesmo canso desse sabido insabido em mim. É assim que não quero saber de nada disso. Enfim, para que isso?

Pode até parecer, feito uma miragem, ignorância preferir o não-saber. Mas não é isso... Uma vez, disse um Avatar, chamado pelo nome de Satya Say Baba: inferno não é um lugar e sim um estado da mente. Destino e live-arbítrio? Não há livre-arbítrio para o Divino, mas para o Ego. Livre-arbítrio entre apegar-se ou não ao inevitável que se esvai...Sim, uma questão de escolha. Ou, ao menos, de exercício do let it go muscle.*

* Adendo: essa leitura há de ser feita com o olhar atento de que esse Divino reside no lugar do indizível, do mesmo jeito que em hebraico D's não se escreve. Deparo-me, aqui, com o liame entre o totalitarismo e o Divino. Quiçá a Lei Divina seja Totalitária, mas a Lei de D's, assim, seria possível de ser escrita? Se DEUS EST DAEMON IN VERSUS, por qual meio haveria saída possível, senão pelo próprio meio? Quer dizer então que os fins justificam os meios? Sempre há uma justificativa, sim. Mas o justo, a justificar, não se encontra em meias verdades... Meias verdades e verdades inteiras... A minha, a tua, a nossa. Não me parece que haja um outro caminho, não importa o caminho, nessa contínua impermanência em busca do aprimoramento do justo legítimo.

Fotos by Maurice Casagrande. Grande amiga, perambulando pelo Marrocos. Medina, em Fez, e deserto Erg Chebi, no Sahara.

* termo que ouvi de Krishna Das.