terça-feira, abril 04, 2006

Comunidade entre os Homens & Exército






Raspei cabelo,
Untei corpo,
Pintei cara.
FIGHT!*


E hoje, dia 24/05/2006, acrescento:

Parece que hoje
Vejo
como vi
A mim, desse jeito
como vi!
Mesmo d'olhos?
Dois, bem fechados!


Até onde isso vai chegar??? Foi assim que me chegou um texto, falando da violência urbana, que terminou dizendo assim: "Está na hora de fazermos valer as normas constitucionais relativas ao tempo de guerra. Estamos em guerra urbana. Mas os governos, teimosos ou ignorantes, insistem que tudo está em paz. Regras da paz são válidas em tempos de paz. Para tempos de guerra as leis são de guerra."

Sobre isso, por hora, apenas reproduzo um pouco de breves comentários sobre a mais que milenar sabedoria chinesa, trazida no conhecido 'Livro das Mutações', ou I CHING.




13ª HEXAGRAMA: TUNG JÊN/COMUNIDADE COM OS HOMENS

A imagem do trigrama superior, Ch'ien, é o céu; a do trigrama inferior, Li, é a chama. Por sua própria natureza o fogo arde em direção ao alto, rumo ao céu. Isso sugere a idéia de comunidade. Devido a seu caráter central, é a segunda linha que reúne à sua volta as cinco linhas fortes. Este hexagrama é o oposto do hexagrama 7, O EXÉRCITO.

Neste último (o exército), o perigo encontra-se no interior e a obediência no exterior, caracterizando um exército guerreiro que para manter-se unido necessita de um homem forte entre muitos fracos. Aqui (comunidade entre os homens) a clareza encontra-se no interior e a força no exterior, o que caracteriza uma pacífica união entre os homens, que para manter sua coesão necessita de uma pessoa suave entre muitas fortes.

Julgamento: A verdadeira comunidade entre os homens deve basear-se em interesses de caráter universal. Não são os propósitos particulares do indivíduo, mas os objetivos da humanidade que criam uma comunidade duradoura entre os homens. Por isso se diz que a comunidade com os homens em espaço aberto tem sucesso. Quando prevalece esse tipo de união, deve-se levar a cabo até mesmo tarefas difíceis e perigosas, como a travessia da grande água. Porém, para que se possa formar uma tal comunidade, é necessário um líder perseverante e lúcido que tenha metas claras, convincentes, que despertem o entusiasmo e que possua força para realizá-las (O trigrama inferior significa claridade, o exterior significa força).

Imagem: O céu se movimenta na mesma direção que o fogo e, no entanto, são diferentes um do outro. Assim como os corpos luminosos do céu servem para a articulação e divisão do tempo, a comunidade humana e todas as coisas que pertencem à mesma espécie devem ser estruturadas organicamente. A comunidade não deve ser um simples conglomerado de indivíduos ou coisas – isso seria um caos, e não uma comunidade -, mas para que a ordem se estabeleça é necessário que haja uma organização entre a diversidade de seres.

7º HEXAGRAMA: SHIH/O EXÉRCITO



Este hexagrama se compõe dos trigramas K’an, água, e K’un, terra. Simboliza, assim, a água subterrânea, acumulada debaixo da terra. Da mesma forma, uma força militar jaz acumulada num povo; invisível na paz, porém disponível a qualquer momento como fonte de poder. Os atributos dos dois trigramas básicos são: perigo no interior e obediência no exterior. Isso indica a natureza do exército, algo perigoso em seu interior e cuja manifestação externa exige disciplina e obediência.
A forte linha nove na segunda posição exerce o comando do hexagrama, tendo as demais linhas, todas maleáveis, como subordinadas. Essa linha representa um dirigente, pois encontra-se na posição central em um dos dois trigramas básicos. Entretnato, como isso ocorre no trigrama inferior e não no superior, ele simboliza não o governante mas o eficiente general que mantém o exército obediente através de sua autoridade.

Julgamento: O Exército necessita de perseverança e de um homem forte. Boa fortuna sem culpa.

O exército é uma massa que necessita de organização para tornar-se uma força de combate. Sem uma firme disciplina nada se pode alcançar. Porém tal disciplina não pode ser atingida através de meios violentos. Ela requer um homem forte que conquiste o coração do povo, despertando-lhe entusiasmo. Para que ele possa desenvolver suas habilidades, necessita da completa confiança de seu dirigente, o qual, por sua vez, deve-lhe conferir a responsabilidade total enquanto a guerra durar. Porém uma guerra é algo sempre perigoso, acarretando danos e devastação. Por isso não se deve deflagrá-la apressada e impensadamente, mas, como a um remédio venenoso, recorrer-lhe apenas em última instância. A causa justa, assim como o objetivo claro e compreensível da guerra, deve ser explicada ao povo por um líder experiente. Somente quando existem objetivos de guerra bem definidos, aos quais o povo possa aderir em plena consciência, surgem a unidade e a força de convicção que conduzem à vitória. Mas o líder deve cuidar para que a paixão da guerra e o delírio do triunfo não levem a injustiças que não teriam a aprovação de todos. Tendo como base a justiça e a perseverança, tudo irá bem.

Imagem: No meio da terra está a água: a imagem do EXÉRCITO. Assim o homem superior aumenta as massas através de sua generosidade para com o povo.

A água subterrânea jaz invisível dentro da terra. Assim também o poder militar de um povo está invisivelmente presente nas massas.
Quando o perigo ameaça, cada camponês torna-se um soldado; ao final da guerra, ele retoma ao seu arado. Aquele que se mostra magnânimo em relação ao povo conquista seu afeto e o povo que vive sob um governo generoso torna-se forte e poderoso. Só um povo economicamente forte pode ter relevância em termos de poderio militar. Deve-se, portanto, cultivar esse poder através do incentivo das condições econômicas do povo e de um regime político humanitário. Só se pode mover uma guerra vitoriosa quando existe entre o governo e o povo esta aliança invisível que faz com que o povo se sinta protegido pelo governo, assim como a água subterrânea é protegida pela terra.

43º Hexagrama: KUAI/Irromper (A determinação):

Julgamento: Ainda que um só homem inferior ocupe uma posição influente numa cidade, ele poderá oprimir os homens superiores. Ainda que uma só paixão subsista no coração, ela poderá obscurecer a razão. Paixão e razão não podem coexistir, portanto uma luta sem tréguas é necessária para que o bem prevaleça.** Num combate tenaz do bem contra o mal há, porém, regras precisas que devem ser respeitadas para que se possa alcançar o sucesso.

1) A determinação deve basear-se numa união da força com a amabilidade.
2) Não é possível um compromisso com o mal; ele deve ser abertamente desacreditado, sejam quais forem as circunstâncias. Nem se deve procurar encobrir suas próprias faltas e paixões.
3) A luta não deve ser conduzida diretamente através da violência. Quando o mal é denunciado e acusado, tendo a agir recorrendo às armas. Se lhe fazemos o favor de responder golpe por golpe, ao final sairemos perdendo, pois seremos envolvidos por ódio e paixão. Por isso é necessário começarmos por nós mesmos, evitando cometer os erros que censuramos. Não encontrando adversário, as armas do mal perdem naturalmente seu caráter cortante. Do mesmo modo não devemos combater diretamente nossos próprios defeitos. Enquanto insistirmos em desafiá-los, permanecerão sempre vitoriosos.
4) A melhor maneira de combater o mal é progredir com energia na direção do bem.

Imagem: O lago elevou-se aos céus: a imagem do IRROMPER. Assim o homem superior distribui riquezas para os que estão abaixo e evita acomodar-se à sua virtude.

Quando a água do lago elevou-se até os céus, há que se temer o desencadeamento de uma chuva torrencial. Tomando isso como uma advertência, o homem superior prevê a tempo um colapso violento. Aquele que acumulasse riquezas para si só, sem pensar nos outros, sofreria, certamente, um desastre. Pois a todo acumular se segue um ciclo de dispersão. Por isso o homem superior procura distribuir enquanto está recolhendo. Na formação do seu caráter, ele também evita se deixar enrijecer em atitudes obstinadas, procurando permanecer receptivo, graças a uma rigorosa e constante análise de si mesmo.

* Por mim mesma.

** Ressalva minha, quanto à minha aquiescência, por hora, quanto à frase.

*** Retirado do Livro das Mutações, I Ching, por Richard Wilhelm, Ed. Pensamento

**** Fotos tiradas por Dalio Zippin Neto, publicadas em 2006, retratando um rio localizado na Patagônia, Argentina.

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